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A Origem
Estás certo de que vives num mundo verdadeiro, ou poderás estar a viver um sonho? Os sonhos também parecem reais, até acordarmos e perceberemos que algo de estranho se passava.
Já quase toda a gente viu o filme, mas se ainda não viste, fica o aviso – este texto contém spoilers!
Que fique claro que gostei do Inception. Valeu o preço do bilhete e o tempo do filme. Com o valor dos bilhetes hoje em dia e um filme de 2 horas e meia, isso já é dizer muito.
Como produto de entretenimento, Inception é muito bom. Visualmente é arrebatador, o enredo prende-nos até ao final e os actores são reconhecidamente competentes. Inception já é o blockbuster do ano e isso é excelente para os seus criadores.
No entanto, esperava mais do filme. Inception não acrescenta conceitos que não tenham sido já explorados em filmes como Vanilla Sky ou The Matrix. A forma simplista como as trata também não abona a seu favor. E os diálogos são geralmente pobres.
A maior desilusão de Inception é que podia ter ido muito mais longe.
Don’t be afraid to dream a little bigger, darling. É isto que apetece dizer a Christopher Nolan no final do filme. Depois de vermos o que Ariadne é capaz de fazer no seu primeiro sonho, ficamos a salivar para descobrir o que ela vai fazer a seguir!
Mas as fantasias loucas da arquitecta ficam por aí. Até ao final do filme, a única distorção da “realidade” que vamos ver são umas escadas defeituosas. É muito pouco para alguém capaz de descer até às profundezas da consciência humana só para matar a sede da criação sem limites.
Depois temos Cobbs, que devia ser um arquitecto genial, mas por receito ser traído pelo seu subconsciente, já não desenha. E ainda o seu mestre, que é bem capaz de ser o maior arquitecto do mundo, mas não sabemos nada sobre ele nem a sua obra. Sou só eu que gostava de ver mais?
Ao contrário do que seria de esperar, Inception não é um filme muito confuso. O filme tem regras muito claras que são explicadas durante a primeira fase da história. Parece que Nolan adoptou a técnica comum em videojogos, onde o primeiro nível é na verdade um tutorial em que aprendemos enquanto jogamos.
O problema é que, enquanto as personagem nos explicam tudo o que está a acontecer, não deixam quase nada para a nossa própria imaginação preencher. E tornam-se demasiado superficiais, meros guias que nos levam pela mão através dos vários níveis do jogo.
A única dúvida surge no final do filme, mas até isso é previsível e teria uma resposta fácil se nos dessem mais uns segundos antes de entrar o genérico.
Apesar de definir as regras cuidadosamente e nunca fugir delas, há momentos do filme que desafiam qualquer lógica.
As cenas de acção em gravidade zero são das mais memoráveis do filme, no entanto não fazem qualquer sentido. Dentro de um sonho a gravidade não tem uma existência real, todas as propriedades físicas do mundo são imaginadas. É um sonho, nada existe fora das mentes dos sonhadores e devia ser possível controlar todas as propriedades físicas, incluindo a força da gravidade.
Outro pormenor inacreditável é a falha de informação sobre os problemas que iam encontrar durante a missão. Primeiro levam-nos a acreditar que estes são os maiores peritos do mundo numa ciência ultra-avançada e depois impingem-nos um erro que nem um principiante faria. Simplesmente não é credível.
Podia continuar a analisar todos os pormenores, mas Inception é uma experiência muito mais agradável se não pensarmos demais naquilo que estamos a ver.
Sobre o autor(a)
Fernando Amaral recomenda jogos do Mario e jogos de futebol.
por: fmfa77
Total de palavras: 755
Data: Mon, 30 Aug 2010 Hora: 2:16 AM
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